O que a igreja católica faz com o dinheiro do dízimo?

Mito da Igreja Católica rica

“A igreja católica samba no dinheiro, ela é tão rica que dá até para acabar com a fome no mundo se ela quiser!”

Todos os dias sempre aparece um candango falando isso, a informação apesar de falaciosa pode está correta, mas com certeza está incompleta. Todo esse valor que a igreja tem em seus cofres não é em dinheiro e sim em patrimônio, uma igreja que foi construída na idade média tem um valor patrimonial alto, as pinturas de Michelangelo no Vaticano ganharam valor após a sua morte por exemplo, tirando isso essa riqueza não é tão alta assim.



Para você ter uma noção, grande parte dos cartões postais no mundo são catedrais, basílicas e capelas dos mais variados estilos e épocas que foram construídos pela igreja católica, um maior exemplo que podemos dar fica aqui no Brasil, o nosso símbolo nacional que é conhecido no mundo inteiro foi construído pela Arquidiocese São Sebastião do Rio de Janeiro, exatamente ele, O Cristo Redentor, agora tente calcular o valor patrimonial, imagine que certo dia a Arquidiocese do Rio pretenda colocá-lo à venda, qual seria o preço do Cristo?

Mito do acúmulo de riqueza

Graças aos ideais comunistas que nos últimos tempos anda se proliferando na sociedade, muitos possuem a ideia de que as Igrejas devem ser comunistas, não podem acumular riquezas e pior ainda, Jesus pregava o comunismo. Já escrevemos um artigo com referências bíblicas de que Jesus não pregava o comunismo. Jesus na verdade era contra o amor ao dinheiro e não o acúmulo do mesmo. Quanto a Igreja Católica, ela não é nem de esquerda nem de direita antes que perguntem.

Aliás, todo o patrimônio da igreja não foi obtido da noite para o dia, são mais de 2 mil anos de história, quem vivencia a rotina de uma paróquia irá entender melhor, mas se temos igrejas grandes, isso foi um processo de um longo tempo de modificações, primeiro construímos uma igreja pequena, depois vai fazendo uma reforma aqui, outra ali, até chegarmos ao que temos hoje, para você ter uma noção, a maior igreja católica do mundo, que você pode conferir neste top 10 aqui, demorou 200 anos para chegar ao que conhecemos hoje.

De onde vem o dinheiro?

A renda da igreja vem de doações, turismo, dízimo e algumas ongues e entidades ligadas a igreja, mas não se engane, muitos leigos ou até mesmo empresários que nem são católicos abrem empresas “católicas”, por exemplo, uma livraria, uma loja de camisetas, uma loja de imagens, objetos litúrgicos, uma fábrica de velas etc, a maioria desse mercado não estão ligados à igreja, logicamente que quando está ligado essa empresa é sem fins lucrativos, ou seja, é apenas para se manter, isso é muito comum nos mosteiros e conventos, um exemplo é o Seminário de São José da Arquidiocese do Rio de Janeiro que recentemente abriu uma padaria para arcar com as despesas do seminário.

Dízimo

Na igreja católica temos a pastoral do dízimo, que é nada mais do que um serviço realizado na Igreja e tem como papel principal de conscientizar cada participante da comunidade da sua responsabilidade com a sua Igreja e com a sua Comunidade, levando-a a refletir e organizar as contribuições. Tornar o cristão responsável comunitariamente.



O dízimo é uma expressão de gratidão a Deus por tudo o que recebemos. É uma contribuição voluntária, regular, periódica e proporcional aos rendimentos recebidos, que todo batizado deve assumir como sua obrigação em relação à manutenção da vida da Igreja.

Apesar de termos várias citações bíblicas sobre o dízimo, a Igreja Católica não obriga os seus fiéis a serem dizimistas; portanto, o dízimo não é obrigatório. É sinal de amor, de fé, de partilha e de comprometimento com a sua Comunidade. Se o dízimo não é obrigatório, por que devo ser dizimista? Porque todo cristão, vivendo como família do povo de Deus, sendo dizimista, demonstra sua corresponsabilidade pela vida e pela manutenção da Igreja.

O valor fica a critério do dizimista, como está escrito na bíblia:

“Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (2 Cor 9,7).

Aliás, aqui vai uma curiosidade, as paróquias tem o costume de fazer uma grande festa no dia do padroeiro para arrecadar fundos para pagar as contas, foi assim que as festas juninas e julinas ficaram famosas no país.

Na igreja católica não tem teologia da prosperidade, não obrigamos ninguém a doar dinheiro ou bens e não vendemos indulgências! Nenhum padre pode prometer milagres em troca de dinheiro podendo até levar um grande puxão de orelha do bispo.

O que a igreja faz com o Dinheiro?

A igreja é transparente quanto ao que ganha, passe na paróquia mais próxima de sua casa e peça a prestação de contas do mês passado, a pessoa da secretaria vai te dar um papel com o balancete da paróquia. Algumas paróquias não dão essa informação por questões de segurança (muita gente assalta igrejas), algumas paróquias avisam no final do mês na missa, outras colocam no mural da Igreja.

O dinheiro é administrado por um fiel, cada comunidade tem o seu tesoureiro, ele é escolhido pelo povo através de uma pequena eleição ou então é escolhido pelo próprio pároco, normalmente ele fica na função por uns dois anos e depois é trocado ou fica por tempo indeterminado. É um trabalho voluntário e de grande responsabilidade, em algumas paróquias essa função é anônima, ou seja, as pessoas não sabem quem é que administra o dinheiro por questões de segurança, pode parecer estranho, mas infelizmente temos casos de tesoureiros de paróquias sequestrados por conta disso, infelizmente a igreja católica é alvo de assaltos frequentemente.

Paróquia é assaltada

Salários

Apesar de ter muitos trabalhos voluntários, na igreja temos funcionários de carteira assinada, quem limpa a paróquia, fica na secretaria ou faz obras na igreja recebe salários e benefícios, tira férias, FGTS e previdência social como qualquer outro trabalhador, graças a eles que nossas capelas, basílicas e cartões postais tem uma boa estrutura mesmo depois de séculos.



Quanto ao salario dos padres e bispos, padres tem dois diplomas de ensino superior e bispos tem mestrado ou doutorado, e eles só vivem disso, tirando os casos de padres cantores e professores universitários, eles não possuem uma profissão e não podem ter empresa em seu nome, então seus salários serão proporcional ao seu nível acadêmico.

Um padre ganha em média um salario mínimo no início, dependendo do tempo de sacerdócio, paróquia e diocese do mesmo o salário do padre pode chegar a 5 mil reais, o padre também tira férias recebe 13º e paga imposto de renda. As freiras são a mesma coisa que os padres.

Os bispos ganham em média 5 mil reais, lembrando que isso depende muito do local de sua diocese, ele sempre irá ganhar um salário proporcional a sua função e nível acadêmico.

Quanto ao Papa, as informações são confidenciais, e sim, o papa tira férias e recebe salário, no caso do nosso querido Papa Francisco, ele provavelmente deve doar quase todo dinheiro e ficar só com o básico.

Por que o clero recebe salário?

Se o sacerdócio não é uma profissão e sim uma vocação, por que eles recebem salários? Simples, uma profissão você acorda, sai da sua casa e vai trabalhar, digamos que você seja militar, no quartel você é sargento fulano, quando você volta para casa, você é apenas fulano, o padre é padre 24h por dia, ele não sai para trabalhar e voltar para casa dele, aliás, a casa dele é a igreja, em cada paróquia temos uma casa paroquial que é o lugar onde os padres moram, todos irão chama-lo de padre, tirando a família é claro, ele anda de batina, ou deveria andar, em todos os lugares, o padre não pode ter uma profissão, tirando os padres cantores, professores e radialistas, os padres são apenas padres. Mas um padre é um ser humano e tem suas necessidades, durante a semana ele vai no shopping, joga videogame, pega um cinema, compra sapatos, come no fast food, viaja e paga contas também!

Corrupção

Sim, existem casos de corrupção, quando é descoberto algum caso de corrupção na igreja os próprios fiéis fazem a denúncia, como aconteceu no escândalo da diocese de Goiais, inclusive os responsáveis foram presos. Nós já escrevemos um artigo ensinando a fazer denúncias na igreja, você pode conferir aqui.

Impostos

A igreja não paga Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto de Renda (IR), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). As paróquias realizam o cadastramento e apresentam documentos para análise perante o poder público.

A igreja também tem imunidade tributária, isso significa que quando ela compra qualquer coisa, ela não paga imposto, apenas que na teoria, parece bonitinho mas na prática não é bem assim, é burocrático e no final algumas paróquias compram com imposto mesmo, padre tira do próprio bolso etc. Para a reforma de um templo, por exemplo, todo o material adquirido e serviço contratado pela organização religiosa são isentos de impostos. Como as igrejas não são comerciais e se mantêm por meio de doações, a imunidade tributária permite que o valor arrecadado seja utilizado de forma mais ampla, destinando-o para projetos sociais, obras no imóvel, compras de equipamento para as missas, promoção de eventos, e assim por diante.



Mesmo assim, muitas paróquias no Brasil estão afundadas em dívidas por falta de dizimistas, pode parecer vantajoso não pagar impostos, mas mesmo com a imunidade tributária a igreja gasta muito, uma capela paga em média R$ 1.200,00 só de conta de luz ou de água, os equipamentos de som consomem muita energia, dependendo do tamanho da igreja são litros e mais litros de água para limpar, tem igrejas quem tem farmácia comunitária, cuida de dependentes químicos, crianças órfãs e idosos, aliás esses locais gastam toneladas de comida, gás, material para higiene e remédios. A igreja pode economizar com a imunidade tributário mas isso não supre os gastos, ele ganha nos impostos mas perde na quantidade.

Por isso a importância do dízimo, a igreja gasta muito, metade é só com obras sociais, seja dizimista e faça trabalhos voluntários.

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