Maria, Mãe da Igreja

Caro Amigo, hoje, segunda-feira depois de Pentecostes, é memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja. Foi o Beato Paulo VI quem deu solenemente tal título à Virgem Maria. Ofereço-lhe alguns trechos da Exortação Apostólica Signum Magnum, de 1967, que trata do sentido deste título da Virgem Maria.

O culto devido a maria como mãe da igreja

Maria Santíssima, Mãe espiritual perfeita da Igreja

1. A primeira verdade é esta: Maria é Mãe da Igreja não apenas por ser Mãe de Jesus Cristo e Sua muito íntima colaboradora na «nova economia, quando o Filho de Deus assume dela a natureza humana, para libertar o homem do pecado» mediante os mistérios da Sua carne (L.G. 55), mas também porque «refulge em toda a comunidade dos eleitos como modelo de virtude» (cfr. LG. 65 também o n. 63). Como, na verdade, cada mãe humana não pode limitar a sua missão à geração de um novo homem mas deve alargá-la à nutrição e à educação, assim se comporta também a bem-aventurada Virgem Maria.



Depois de ter participado no sacrifício redentor do Filho, e de maneira tão íntima que lhe fez merecer ser por Ele proclamada Mãe não só do discípulo João, mas — seja consentido afirmá-lo— do gênero humano, por aquele de algum modo representado, Ela continua agora no céu a cumprir a missão que teve na terra de cooperadora no nascimento e desenvolvimento da vida divina em cada alma dos homens remidos. Esta é uma consoladora verdade, que por ser livre beneplácito de Deus sapientíssimo faz parte integrante do mistério da salvação humana; por isso ela deve ser considerada como de fé por todos os cristãos.

Maria Mãe espiritual mediante a sua intercessão junto do Filho

2. Mas de que modo coopera Maria no crescimento dos membros do Corpo Místico na vida da graça?
Em primeiro lugar mediante a sua incessante súplica, inspirada por uma ardente caridade. A Virgem Santa, embora feliz pela visão da augusta Trindade, não esquece os seus filhos que caminham como Ela outrora na «peregrinação da fé» (L.G. 58). Contemplando-os em Deus e vendo bem as suas necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está «sempre vivo a interceder por eles» (Heb 7,25), deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira (cfr. L.G. 62). Desta sua ininterrupta intercessão junto do Filho pelo Povo de Deus, tem estado a Igreja desde os primeiros séculos persuadida, como testemunha esta antiquíssima antífona que, com algumas ligeiras diferenças, faz parte da oração litúrgica tanto no Oriente como no Ocidente: «à tua protecção nos acolhemos ó Mãe de Deus; não desprezes as nossas súplicas nas necessidades, mas salva-nos de todos os perigos ó (tu) que só (és) a bendita». Nem se pense que a intervenção maternal de Maria traga prejuízo à eficácia predominante e insubstituível de Cristo, nosso Salvador; pelo contrário, ela tira a sua força da mediação de Cristo e é dela uma prova luminosa (cfr. L.G. 62).

Maria Educadora da Igreja com a fascinação das suas virtudes

3. Não se esgota, porém, no patrocínio junto do Filho a cooperação da Mãe da Igreja no desenvolvimento da vida divina nas almas. Ela exerce sobre os homens remidos uma outra influência: a do exemplo. Influência, na verdade, importantíssima, segundo a conhecida máxima: «As palavras movem, mas o exemplo arrasta». Realmente, tal como os ensinamentos dos pais adquirem eficácia bem maior se são apoiados pelo exemplo duma vida dentro das normas da prudência humana e cristã, assim também a suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada Mãe de Deus atraem de maneira irresistível os ânimos para a imitação do divino modelo, Jesus Cristo, de que ela foi a mais fiel imagem. Por isso o Concílio declarou: «A Igreja, reflectindo piedosamente sobre Maria e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, cheia de respeito penetra mais e mais no íntimo do altíssimo mistério da Encarnação e vai tomando cada vez mais a semelhança do seu Esposo» (L.G. 65).

A santidade de Maria, luminoso exemplo de perfeita fidelidade à graça

4. É bom, além disso, ter presente que a eminente santidade de Maria não foi apenas um dom singular da liberalidade divina: foi também o fruto da contínua e generosa correspondência da sua livre vontade às moções interiores do Espírito Santo. É por motivo da perfeita harmonia entre a graça divina e a atividade da sua natureza humana que a Virgem rendeu suprema glória à Santíssima Trindade e se tornou honra insigne da Igreja, que como tal a saúda na Sagrada Liturgia: «Tu (és) a glória de Jerusalém, tu (és) a alegria de Israel, tu (és) a honra do nosso povo».


Exemplos de virtudes Marianas nas páginas do Evangelho

5. Nas páginas do Evangelho admiramos os testemunhos de tão sublime harmonia. Maria, logo que obteve a certeza pela voz do Anjo Gabriel que Deus a elegia para Mãe do seu Filho Unigênito, sem qualquer hesitação, deu o seu consentimento para uma obra na qual teria de empregar todas as energias da sua frágil natureza, declarando: «Eis a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). Desde esse momento, ela consagrou-se inteiramente ao serviço, não apenas do Pai celeste e do Verbo Encarnado, tornado seu Filho, mas também de todo o gênero humano, pois compreendeu bem que Jesus, além de salvar o Seu povo da escravidão do pecado, seria o Rei de um Reino messiânico, universal e eterno (cfr. Mc 1,21; Lc 1,33).

Maria, Serva do Senhor, desde a Anunciação até à sua gloriosa Assunção

6. Por este motivo, a vida da Imaculada Esposa de José, virgem «no parto e depois do parto» — como sempre acreditou e professou a Igreja católica e como convinha aquela que tinha sido elevada à dignidade incomparável da maternidade divina —, foi uma vida de perfeita comunhão com o Filho, partilhando com Ele alegrias, dores e triunfos. E mesmo depois de Jesus subir aos Céus, ficou unida a Ele por um ardentíssimo amor, enquanto cumpria com fidelidade a nova missão de Mãe espiritual do discípulo predileto e da Igreja nascente. Pode afirmar-se, assim, que toda a vida da humilde Serva do Senhor, desde o momento em que foi saudada pelo Anjo até à sua assunção em alma e corpo à glória celeste, foi uma vida de amoroso serviço.

Associando-nos, portanto, aos Evangelistas, aos Padres e aos Doutores da Igreja, recordados pelo Concílio Ecumênico na Constituição Dogmática « Lumen Gentium» (cap. VIII), cheios de admiração, contemplamos Maria, firme na fé, pronta na obediência, simples na humildade, exultante no louvor do Senhor, ardente na caridade, forte e constante no cumprimento da sua missão até ao holocausto de si própria, em plena comunhão de sentimentos com o seu Filho, que se imolava na Cruz para dar aos homens uma vida nova.


Justo culto de louvor e de gratidão à Mãe da Igreja

7. Pois bem, perante tanto esplendor de virtudes, o primeiro dever de quantos reconhecem na Mãe de Cristo o modelo da Igreja é o de, em união com Ela, render graças ao Altíssimo por ter realizado em Maria tão grandes obras em benefício da humanidade inteira. Mas não basta. É igualmente dever de todos os fiéis tributarem à fidelíssima Serva do Senhor um culto de louvor, de reconhecimento e de amor, uma vez que, segundo a sapiente e suave disposição divina, o seu livre consentimento e a sua generosa cooperação nos desígnios de Deus tiveram e continuam a ter uma grande influência na realização da salvação humana (cfr. L.G. 56).

Por este motivo, cada cristão pode fazer sua a invocação de S. Anselmo: «Ó gloriosa Senhora, faz com que por ti mereçamos chegar até Jesus, teu Filho, que por teu intermédio se dignou descer até nós».

Compartilhar